sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ALUMBRAMENTOS




Alumbramentos
(Carlos Pedala) Homenagem à Maria Lúcia Dal Farra

Simples versos de perfume
Inunda os meus lares,
Se o prêmio pra algo serve, além
De te conheceres, já bastante serventia
Há de tê-lo

O novo enredo é novelo
O compositor de palavras nem sempre
Sabe descrever
Dos “Alumbramentos” ainda não sei
Mas hei de saber

Com certa vergonha vou contar
A preguiça faz parte do meu ser
Veja as bicicletas encostadas nos muros
É como o não-ser
Para sabê-lo é preciso vivê-lo, ou seja: não-ser. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

AVIÃO




Avião
(Carlos Pedala)

O pouso do metal encerra o sol.
Em voo suave, em toque leve.
Estremecidamente à terra entregue.
Acompanho no campo visual seus gestos,
Da bicicleta me encontro rasgando os céus.

No piscar de luzes,
Em meio a mandingas e cruzes.
Cruzando igual cenário,
Deslizando acima da Baía da Guanabara.
Na pista, corre livre da leveza dos ares.

Vieste de Buenos Aires?
Ou de quais lugares vieste?
Quantos azuis mares sobrevoaste?
Atravessaste quais olhares?
Através das montanhas e nuvens aqui chegares.

POEIRAS





Poeiras
(Carlos Pedala)

plantas dentro de casa
bicicletas encostas nos muros.
A linguagem no jogo de linguagem.
Estacionado, aguardo verso que traduza
o imensurado, o destamanho, o medo.

Não há motivos para nada
Nem para tudo que cabe dentro da palavra.
Mesmo que nela nada ou coisa alguma caiba,
Sendo o nada inconcebível eternamente.
Feito poesia, feito porta fechada, feito coisa.

Desconfigurado, sem sentido,
São as linhas do que digo.
Lembranças daquele beijo, lembranças daquele gozo.
Enquanto a poeira pousa sobre os móveis da sala
Em outubro, no bairro do Flamengo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

MAIS QUE UM




Mais que um 
(Carlos Pedala) Para meu amigo Jeferson

Amizade em Pessoa humana
De gostar de gente,
De gostar de qualquer humano
Sabendo: qualquer humano
É mais que um
O bom de um humano
Sabendo: tudo é um
Pouco se importando com
a bicicleta que não é nada e é de ninguém
O mundo é de ninguém
Nada é de ninguém
e mais um humano
é muito mais além
Muito além do eu que nos contem
Muito, muito mais além... meu mano. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

LEITURAS RECOMENDADAS




Leituras Recomendadas
(Carlos Pedala)

Mecânica básica para ciclista
Ou Iniciação Zen Budista
Leituras obrigatórias para quem
Quer saber aonde vai chegar

Para quem quer arrumar
Namorada e viver grande
Amor, recomendamos Vinicius de Moraes
Pois aprender amar nunca é demais

Todavia, nada de vaidade,
Precisamos lembrar que amar
se aprende amando, assim ensinou
o Poeta Mor Carlos Drummond de Andrade

E caso você já tenha ultrapassado
O amor e fique espantado com o mar
O melhor é ler Ferreira Gullar. 

EXATAMENTE




Exatamente
(Carlos Pedala)

Escuto a fala de Deus em muda língua
Não compreendo exatamente o que se fala
Incompleto compreender completamente
Há incerteza na medida exata em que se fala
Mas é sobre isso que se fala
Exatamente
Como o barulhinho dos elos vazados da corrente
Traçando dentes do peão e da corroa descontente.
No eterno, no constante, no sempre existente
Deslizar dessa corrente
Sobre o eixo semovente
Exatamente
Na perfeição do encaixe desses dentes
No tempo a girar eternamente
Dentro e junto aos elos vazados da corrente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O SAGRADO




O sagrado
(Carlos Pedala)

O canto da morte nas letras
De Cruz e Sousa, a presente agonia
Quisera andar de bicicletas em infinitas,
Delirantes e suaves ciclovias

Quisera ler a completa poesia da vida
Do poeta. Palavra justa, palavra certa
Do criador de voluptuosos hinos
De soluçar incessante e sonetos finos

Do desespero a flor dos olhos
De inebriantes vinhos e visões dos infernos
Da sublimação dos sentidos
Da graça, da forma, da formosura

Da manutenção da compostura
Mesmo com a revelação de tudo o que é sagrado
Sendo esse, talvez, o mor desespero.