sábado, 16 de março de 2013

VELHO SENHOR


Velho senhor
(Carlos Pedala)

No prédio em frente
O velho senhor olha pra baixo
Pra rua
Ele apareceu quase nu
Na janela
E olha pra rua
O que ele vê?
O que ele procura?
Será que ele pensa
Em nossa existência?
Será que ele tem a barriga vazia?
Ou apenas olha os carros que passam
Sem maiores consequências
Sem fazer ideia das ideias que daqui exalam.. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

TÚMULO ABERTO


Túmulo aberto
(Carlos Pedala)

Por que é em mim
Essa conexão sem fim?
Por que onde havia poesia
Agora é essa terra úmida
Sem flores?

Restou o barulho dos carros
Bem como o bater do martelo
No concreto que resiste
Em ser no seu modo triste
De ser duro e elo

Finalmente, quando se abriu o túmulo
Havia apenas ossos e cabelos
No que fora pernas e braços
Nem um soluço dali saiu
E a palavra que ali habitava
Partiu

Curioso, olhei para os céus
Para ver se via ou ouvia
Mínimo rastro...

TÚMULO ABERTO


Túmulo aberto
(Carlos Pedala)

Por que é em mim
Essa conexão sem fim?
Por que onde havia poesia
Agora é essa terra úmida
Sem flores?

Restou o barulho dos carros
Bem como o bater do martelo
No concreto que resiste
Em ser no seu modo triste
De ser duro e elo

Finalmente, quando se abriu o túmulo
Havia apenas ossos e cabelos
No que fora pernas e braços
Nem um soluço dali saiu
E a palavra que ali habitava
Partiu

Curioso, olhei para os céus
Para ver se via ou ouvia
Mínimo rastro...

EXATAMENTE


Exatamente
(Carlos Pedala)

O poema há de ser bem pequeno
Pra caber nas rimas
De seus versos
E conter o brilho das estrelas
No espaço

Deve existir em um tempo mínimo
Um átimo
Estilhaço de Big Bang
E reter o brilho dos olhos
Nos seus traços

O poema há de ser igual
Ao tamanho do pedaço
Da vida
De quem o lê
Exatamente igual a você 

quarta-feira, 13 de março de 2013

IRREMEDIÁVEL


Irremediável
(Carlos Pedala)


A poesia é gerada antes das palavras
Antes das letras
O que lhe dá a essência
É a delicadeza com que é feita

Reparem nos antigos carteiros
A ir de porta em porta
Entregando cartas

Com o coração batendo forte
As mãos tremendo
Desfazíamos o pacote de que são
Feitas as cartas

Ali dentro estavam as missivas,
As notícias, as letras e a essência
Ou seja, a delicadeza, o prazer

A verdade de ser
Com que de fato é feito tudo que
É irremediavelmente inútil...

SEM O MENOR SENTIDO


Sem o menor sentido
(Carlos Pedala)

Lanço palavras no espaço
Concreto
Meço o que foi dito
Contanto as sílabas do que está escrito

Cultivo o fonema mastigando a maça
Ajusto a rima
Pra te capturar como a um imã

O calor já não é tão forte nessa manhã

Faço um minuto de silêncio
Em vão espero
Ouço os motores combustíveis
E o porteiro a varrer a calçada

Sirenes, buzinas
E o alarme disparado do carro

Constato que perdi mais vinte minutos
Do meu tempo, da minha vida
Nesse poema sem o menor sentido... 

terça-feira, 12 de março de 2013

POUQUINHO


Pouquinho
(Carlos Pedala)

Quando a gente escreve
É uma questão de humanidade
Existem técnicas e truques
Que destacam o dizer poético

As rimas, as métricas e figuras de linguagem
E vários outros caminhos revelados
Pretendendo demonstrar a passagem
Entre os sonhos e a realidade

Mas é tudo muitíssimo mais simples
É só pegar o teclado e com coragem
Teclar
Um pouquinho de
Você