quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ENQUANTO CHUVA

Enquanto chuva
(Carlos Pedala)

Enquanto cai a chuva
Espero a hora de ir
Buscar meu filho
Na escola de piano

Enquanto cai a chuva
Espero a hora passar
A folha da palmeira
Balança suspensa no ar

Enquanto cai a chuva
Espero a tarde passar
E há alguns pingos
Agarrados nas vidraças

Enquanto cai a chuva
Meu pensamento dança
Para o lado de lá e para cá
Enquanto a chuva não parar... 

CHOVE SEM PARAR

Chove sem parar
(Carlos Pedala) A Jorge Bem Jor

Pra dizer da chuva
Pra dizer dessas coisas
Dessas coisas de chuva
Do frescor da chuva
Do ar gelado da janela
Pra dizer dessas coisas
A maneira correta da chuva
A fórmula completa da chuva
Protegidos da chuva
As janelas abertas da chuva
O cheiro da chuva
As palmeiras molhadas da chuva
A preguiça do dia de chuva
Não precisar sair na chuva
Escutar a chuva caindo
A chuva batendo no telhado
Os dias de chuva e chuva
O tédio da chuva
As nuvens de chuva
A delícia da gente na chuva
Chove chuva
Chove sem parar...


terça-feira, 15 de outubro de 2013

POEMA MALCRIADO

Poema malcriado
(Sylvia Ripper)

Um poema desandou
do lado esquerdo do sofá
tropeçou no abajur
quebrou o jogo de chá

Pendurou-se nas cortinas
da sala de jantar
derrubou a cristaleira
do bisavô Valdemar

Escorregou na cera
do chão da sala de estar
esqueceu a chave na porta
que o vento fez trancar

Agora ficou o poema
preso  fora no jardim
e branco, livre e desatinado
chutou seu último verso
e acabou sem fim.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

POEMAS PERDIDOS

Poemas perdidos
(Carlos Pedala) Para Sylvia Ripper

Coitado do poema acuado
Mal nasceu foi derramado
Mas eis que isso é a vida
A um faz rei mandante
De capa de ouro comprida  
Ao outro poeta errante
No máximo cibernético escriba
Mas mesmo acuado num canto
Com medo de sinteco encerado
Esse poema há de ser lido
Um dia ele há de ser resgatado
Por poetas cuja missão no mundo
É encontrar poemas perdidos... 

POEMA DERRAMADO

Poema derramado
(Sylvia Ripper)

Derramei um poema
por um descuido
transbordado
escorreu pelo chão
mas não esparramou
ficou ali, acuado
tem poema que morre de medo
de andar em sinteco encerado.

DIGO SIM

Digo sim
(Estela Menezes)

Um livro
De verdade
Na verdade
Guarda melhor os versos
Que um ipad, um ipod
Ai que merda
Quando caem
Soltam tudo
Pelo chão
Não quero ter
Que varrer
Ou pisar versos.

POEMA VARRIDO

Poema varrido
(Carlos Pedala) Para Estela Menezes

Por mais que você tenha zelo
E mantenha-os guardados
Tudo o que escreve
Será lido
Sei que o poema foi feito para isso
Para ser lido e relido
Mas mesmo assim
Há uma parte dele que escapa
Que foge entre os dedos
E não adianta lamentar o poema derramado
Seja em livro
Seja em meio digitado
Porém, pisa neles devagar
E ao varrê-los
Faça-o com cuidado
Pois o poema varrido
É pior que ex-marido...