terça-feira, 13 de maio de 2014

promessa
(Carlos Pedala)

sábado
vamos à Igreja de São Jorge
não ligue pras representações
e pras instituições
vamos exercer a fé
aprender a fé
vamos pedir a fé
humildemente
húmus na semente
fé
é algo que move as montanhas
e move essa gente
estarei ao seu lado
vamos nos por de pé
pra ajoelhar
rezar
e que a prece nos leve
aonde tem que levar...


uma canção qualquer
(Carlos Pedala)

ao ouvir a canção
explode em mim
a uma parte que derrete
vira melancolia
massa de chiclete
depois, a alegria
que me faz sorrir
sem motivo aparente
em ser simplesmente
de estar contente
por estar contente
de fazer rimas fáceis
de gravar na mente
e assim prosseguir
aceitando o que é
porque tem que ser... 

domingo, 11 de maio de 2014

mito
(Carlos Pedala)

no poema  
o conflito
em mim
quando passo
fico
infinito fim
brecha
pedra bruta
espaço onde me repito
emudeço, mudo
e grito
limite onde escapo
reescrevo o dito
realidade
mito...


o sentido da vida
(Carlos Pedala) a Pedro Sena

qual o sentido da vida?
não consigo responder
e se não tiver nenhum
assim fácil de dizer

qual o sentido da vida?
a angústia que te dá
não veio do céu
é o que há pra entender

qual o sentido da vida?
pede a Deus com fé
pra ele preencher  
o vazio de viver em você

qual o sentido da vida?
nem sei o que falar
é questão tão estranha
veja as teias da aranha

qual o sentido da vida?
de nada adianta chorar
lágrimas não irão responder
sei lá, deixa ser, deixa pra lá  

qual o sentido da vida?
ouça o que sua mãe falou
vá se deitar e escute o que
as estrelas têm a dizer...

sábado, 10 de maio de 2014

um grande amor
(Carlos Pedala)

cedo
li dois versos
escrevi outros
fui de bicicleta até o porto
tirei fotos do protesto
vi a feira de antiquários na Praça XX
tirei fotos da estátua de Deodoro
(depredada)
roubaram-lhe a espada
subi o morro da Conceição
os ateliers fechados
tirei fotos lá de cima, sozinho
fui até à feira da Prainha
comprei um CD duplo de Wilson Batista
passei no CCBB e encontrei Pablo Picasso
assisti show de Elza Soares na TV
dormi
agora passa um filme de François Truffaut
reparando bem

sinto a falta de um grande amor...
o rei
(Carlos Pedala)

um pouco de ironia
me faria bem
um pouco de farpas nas minhas
linhas também
talvez com um pouco de farinha
e que as convecções
e as certezas aqui
se ferrassem
aqui ficassem presas
se machucassem
em suas pretensões
afinal, sou eu que escrevo
e nem sei se isso é poesia
mas pensando bem
aqui
eu sou o rei... 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Elogio
(Carlos Pedala) a Luiz Fernando Hall

após o almoço
nos encontramos
casualmente
no décimo-terceiro andar
no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro
em frente aos elevadores
ele diz que lê os poemas que escrevo
diz que gosta
e mostra pra filha
(ela tem dez anos)
e que por conta disso
a menina já está escrevendo poesia
nos despedimos e seguimos na labuta
isso foi há uns três dias 
só agora me dei conta
ser esse o maior elogio que já recebi...