domingo, 18 de maio de 2014

fuga
(Carlos Pedala)

sim, é verdade
há dias tão estranhos
(como alguns domingos)
a vida fica suspensa
corremos para ela
na ânsia de fazer tudo
e aproveitá-la
ou ficamos olhando pela janela
de qualquer forma
nesses dias
existe a impressão de fuga
é como se a vida
de algum modo
nos escapasse
sem poesia
e sem que possamos fazer nada
para impedir
essa fuga...



sábado, 17 de maio de 2014

das coisas
(Carlos Pedala)

com a igreja fechada
pegamos o Campo de Santana
vivenciamos o espaço
o verde, os animais  
vamos ao almoçar
no Coração de Maria
ao longe, as torres do pré-sal
monumentos de vidro
as logos são os guias
na biblioteca, vemos o céu
de noite e de dia
a vida tem um quê de incerteza
na alma  
nem sempre
é possível separar
o ser
das coisas...  

sexta-feira, 16 de maio de 2014

nem é tão pouco
(Carlos Pedala)

a poesia
em mim
exigiu fim
nada sobrou
pra mim
nessa sexta-feira triste
nenhum estranhamento
nada de absoluto
absolutamente
unicamente o fim
além do céu
e pouco depois do azul 
nenhum impossível sonho sobrou
nenhum samba na Lapa também
nada
apenas eu
e mais ninguém
a única coisa que sobrou pra mim
fui eu 
não é muito
nem é tão pouco assim... 
Selfie

água
na pedra a correr lisa
correria
crianças pela casa
alegria
quando ao seu lado
fria
entre seus pesadelos
manhãzinha
luz do dia
calmaria
remédio
doença da alma
tédio
selfie
autofotografia... 
existencialismo alemão
(Carlos Pedala)

azul é mais lindo
no céu da sua boca
no risco de cruzá-la
na nuvem de avião a jato
no supersônico mistério
na potência de palavra
na demora de ser
no tempo passado
quando não houver mais nada
e tudo houver sido
fico imaginando
o significado  
de nós na foto
junto ao meu primeiro
Wolksvagem... 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

na dor
(Carlos Pedala)

a dor de existir
é pra doer
pra resistir
você assim a doer
é doer em mim
é sofrer
a combinação
é resistir
é esperar passar a dor
passar
depois será melhor
será melhor
é claro que será
será melhor
melhor será
será melhor pra mim
te ver sorrir
te ver chorar
por outras dores  
não doer  
em doer assim... 

terça-feira, 13 de maio de 2014

escuridão de quarto
(Carlos Pedala)

falta
completude
e falta
somente o silêncio
poderá dizer
da falta
nessa nuvem
em chegar até você
céu e mar azul
som de escutar sozinho
voa nuvenzinha
bem devagarinho
acaricia
voa pra lugar nenhum em mim
céu e mar azul
escuridão de quarto 
e fim...