quarta-feira, 14 de agosto de 2013

JUVENTUDE E AMIZADE

Juventude e amizade
(Carlos Pedala)

Cidade de Cabo Frio
Bicicleta nova
Havia tempos que não andava de bicicleta
Bastante tempo 
A topografia da região favorece o veículo
Foi visitar amigos em Arraial do Cabo
No caminho, era muitíssimo feliz
Dunas, vento a favor, nuvens
Era bem cedo, era da natureza
Era nascendo sol no horizonte
Chegando lá, era a casa deles
Convidaram-me para tomar o café da manhã
Ao som de Vivaldi
Fomos à Praia Grande
Levamos crianças, juventude e amizade... 

ELEVADORES

Elevadores
(Carlos Pedala)

Nas baias da Coordenadoria Municipal
Acoplados ao computador
Transformados em silêncios de nós mesmos
Somos a estrutura do sistema
Devemos ter orgulho
Em mais alguns anos estaremos onde?
E se estivermos equivocados?
E se de fato for tudo isso um grande engano?
Não obstante  a solidez do tempo no gigante relógio
Os sons dos teclados
O azul e as nuvens vistos através das janelas
No hoje idêntico aos hoje de ontem
A felicidade
Ah, a felicidade estampada nas faces
Nem alegres nem tristes
Sejamos gratos pelo prazer da convivência
O breve prazer que desfrutamos
No subir e descer dos elevadores...



PROCURA

Procura
(Carlos Pedala)

Há dias injustificáveis
O sentido das coisas desaparece
Os objetos coloridos da Rua da Alfandega
Perdem completamente toda sua graça
No meio de tantas ofertas
Buscamos fazer nossas preces
Sim, temos o hábito de existir
De onde sai tanta gente?
Cheias de interesses, cheias de apetites?
No Saara, o grande shopping a céu aberto
Há de fato o que precisamos
Disputamos a banca de mercadorias
Com senhoras moradoras de Ramos
Renovamos a esperança
Aqui encontraremos o que procuramos... 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

PRECISÃO

Precisão
(Carlos Pedala)

É preciso confiar na poesia
É preciso de coisas confiáveis
De coisas que não se desconfia

É preciso confiar na poesia
É preciso confiar no que se confia
É preciso precisar de confiança

É preciso confiar na poesia
É preciso precisar de poesia
É preciso apreciar a maresia

É preciso confiar na poesia
É preciso o que nem se desconfia
É preciso não precisar a poesia

É preciso confiar na poesia
É preciso não precisar de poesia
É poesia precisar de poesia... 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

REFLEXÕES E FLORES

Reflexões e flores
(Carlos Pedala)

Deixaram a porta do armário aberta
Os livros escorrem para o meio da sala
Ficaram estacionados no caos  
Exceto por algum sofrimento
Não há como negar a vida disposta neles
É certo também dizer que não há garantias de nada
Nem mesmo com a visita do Papa
A fé de fato é o melhor argumento
Experiência raríssima
Sendo o instinto de sobrevivência senhor imperioso
Vejam os santos
Além dos milagres com provas burocráticas
Fé acima de tudo
Mas não é bom ficar falando dessas coisas
Ainda mais agora que as flores estão nascendo por todos os lados da Cidade...



domingo, 11 de agosto de 2013

ERRO

Erro
(Carlos Pedala)

Abortei um poema errado
Nasceu de madrugada
Quando ouvia o vento
E não ouvia nada

Era bem de madrugada
Nem cheguei à janela
Talvez nem houvesse ela
O vento rondava a rua

Agora ficou mais cedo
Há o frio dentro da sala
O quase algo aqui se demora
E o poema vai ficar guardado

Talvez ainda o jogue fora
Gostaria de ser mais preciso
Na imprecisão dessa hora
Quando falta à forma o fim...


  

sábado, 10 de agosto de 2013

EM TANTO

Em tanto
(Carlos Pedala)

Quando a palavra cai na tela
Rabiscando o branco
E dela que mais gosto
Sereno cair na tela
Também é no pano branco
Seco lágrima do pranto nela
E dele que mais gosto e tanto
Também nele tento passar a limpo
O branco do branco do pano branco
E o cheiro do pano limpo
E branco
O cheiro que mais gosto
Da palavra cheia na tela branca
Quando ela cai na tela
Sereno cair no branco
Lágrima seca do pranto
Na tela, no pano limpo
Em tanto...