domingo, 13 de outubro de 2013

PELO QUARTO

Pelo quarto
(Carlos Pedala)

Agora há pouco
Tentava ler uns versos
De Drummond
Deitado na cama do quarto
Num livro eletrônico
Num iPad
Num descuido
O aparelho caiu
E se partiu
Os versos ficarão para sempre esparramados pelo quarto... 

DEZ ANOS

Dez anos
(Carlos Pedala) Para Leonel Antunes

Dez anos depois
Revejo esse rapaz
Ele tem dez anos a mais
Dez anos depois
Mais dez anos de amores
Mais dez anos de vida a mais
Dez anos depois
Me diz sua poesia
Do coração e da periferia
Do país
Dez anos depois
Ele me diz do Metrô de Paris
E ainda diz de revolução e de cidadania
Com entusiasmo e em paz
Diz das dez mil juras de amor àquela menina
E que ela o deixe em paz
Falamos na eternidade
E o que é para a eternidade
Dez anos a menos, dez anos a mais... 

NA PAZ

Na paz
(Carlos Pedala)

Em paz
Ele me diz
Do momento de paz
Pouco antes de morrer
A mais bela namorada
Para um belo rapaz
Viver em paz
Mas é bom saber
Quando a morte vier
Virá a paz
A paz de saber
Quando a morte vier
Trará com ela a paz
Para quem não souber
Viver na paz... 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

OUTRAS CORES

(Carlos Pedala)

Hoje acordou mais tarde
Um anjo
Sentou-se ao meu lado
E me embebedou com sua fala de anjo
E com tudo o que falou
Do amigo que foi ao sétimo andar
E desistiu de continuar
E por horas e horas chorou nos degraus com os anjos
Falando com a lucidez dos anjos
Do seu problema de anjo e dos problemas
Do mundo em geral
Fui por ali ficando
Distraí-me por uns instantes com os anjos
Quando voltei
As coisas ao redor
Todas elas eram outras... 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

DE PRONTIDÃO

De prontidão
(Carlos Pedala)

A dor entrou lá em casa
Entrou
Foi assim de repente
Entrou sem recado
Foi assim, simplesmente chegou
A vida ficou suspensa em dor
Mas de todo o lado surgiu gente
E a batalha se instalou
Nossos Anjos da Guarda são fortes
Baterem-se frente a frente com a morte
Lutaram com unhas e dentes
E a ela se afugentou
Chegam rezas e orações
Exércitos e legiões
Munidos de muito, muito amor
Estamos todos de prontidão... 

FLORES DO ATERRO

Flores do Aterro
(Carlos Pedala)

Andei sobre flores no Aterro
Pisem em flores
Senti flores sob meus pés
Só então percebi flores
As árvores estão cheias de flores
Mas não sei o nome delas
Nem suas cores
E nem consegui sentir seus cheiros
O cheiro das flores do Aterro
Andei sobre elas
As flores do Aterro
Senti se arrebentarem sob meus pés
O meu tênis não é Nike
Mas dilacerou flores no Aterro
Sob os meus pés
Andei sobre flores no Aterro
Sobre seus cheiros
O cheiro das flores do Aterro...  

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

QUANDO MINTO

Quando minto
(Carlos Pedala)

Tenho escrito coisas bonitas
Porque o sofrimento
Essa pedra bruta
Essa dor que a gente sente
É muito mais bonita
Na escrita do que na gente

Tenho escrito coisas bonitas
Porque a alma doente
É uma alma solta
Essa dor da alma ausente
É muito mais bonita
Quando escrita na alma da gente

Tenho escrito coisas bonitas
Porque não gosto de tê-las escrito
Essa dor de tão pungente
Essa dor que agora sinto
Sendo assim muito mais bonita
Pois escrita é verdade quando minto...