quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ETERNIDADE

Eternidade
(Carlos Pedala) Para meu Brother Claudio Braga

Quando a vida
acaba
o que é que finda?
O que fica para trás?
pois alguma coisa vai
quando a chuva cai
alguma coisa fica
alguma coisa vai
a água escorre
em alguma esquina
em alguns sinais

Quando a vida acaba
o que fica?
O que finda a vida?
Aquela coisa acaba
aquela coisa nunca acaba mais...


domingo, 16 de fevereiro de 2014

É LEVE

É leve
(Carlos Pedala) Para Ronaldo Thibes

A alma é leve
por mais que ela pese
o peso dela é vinte uma gramas
é leve

há quem não acredite nela
por ser ante matéria
nem que ela pese
seja eterna, seja breve  
por ser etérea
feita nuvem
feita neve

a alma é leve
falta equação que a descreva
tão leve
tão eterna, tão breve
por mais que ela pese
o peso dela é vinte uma gramas
é leve... 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

POEMA

Poema
(Carlos Pedala)

Poema palavra acesa
chama
descendo sobre o telhado
flama
imã, rima, irmã
que vem morar aqui

Poema palavra acessa
teima
se arrastando pelo chão
víbora
tempo, destino, ilusão
que vem me dar um beijo

Poema palavra acessa
língua
entrando pelos ouvidos
água,
desejo, arrepio, tesão
quem vem do coração... 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

KEYWORD

Keyword
(Carlos Pedala)

A palavra chave
abre
a palavra chave
fecha
o caminho
tranca a passagem
nave espacial
link
ente
entre dois
antes, durante, depois
a palavra chave
abre, fecha
a palavra chave
fez do Google esse gigante
a palavra chave
simplesmente a mais importante... 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

POR POUCO

Por pouco
(Carlos Pedala)

Há dias em que penso:
nada aconteceu,
não tenho o que dizer.
Provavelmente estava
distraído demais das desimportâncias
do mundo
exatamente dessas coisas dessas,
sem qualquer sentido
qualquer
essas, juntamente com as palavras,
são matéria,
pano de fundo
do indizível
de toda poesia
e ela (poesia)
iludindo
quase deixa ver... 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O QUE FOR

O que for
(Carlos Pedala)

Disfarce
ao dizer das coisas
as coisas
sofra
a dor mais forte
da existência
no existir, no aparecer
na aparência
padeça do entardecer
e que tudo seja
apenas
o que for... 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

TRAMA

Trama
(Carlos Pedala) Para Pedro Sena

Pairo no quarto
daquela janela
quero ultrapassá-la
mínimo mistério
parapeito dela em algum defeito
feito trama de aranha no quanto
também poderia ser teia
à tarde ponho a árvore nela
e nela de manhã, vejo a janela trazer manhã
enquanto nela
pequenos dramas
lágrimas correm do meu rosto
sim, do meu rosto em chamas
enquanto acordo e a manhã já se foi embora
e se forem em vão estrelas
por que não?
Porque não posso vê-las
não há como saber o esperar delas
e o que elas, as estrelas (brilhantes e pequeninas),
transluzentes tramam pra mim...