quinta-feira, 3 de abril de 2014

em silêncios
(Carlos Pedala)

jamais tocarei em tal nome
espantarei os pensamentos
da cor daqueles olhos 
deixarei que o sal do mar se encarregue
de lavá-los
ouvirei em silêncio o silenciar de estrelas
a roda dos dias
saberei não mais ser o mundo assim
desse modo
ficarei mudo
guardarei os murmúrios  
e se nada mais fizer sentido
ainda assim
guardarei comigo
e
nada mais...   


terça-feira, 1 de abril de 2014

Um quê
(Carlos Pedala) 

Um quê de quando
um nem sei o quê
um nem sei o porquê
nem sei
não sei bem o que dizer bem
nem o que se revela
apenas um quê
bem delicado
um quê de quase nada
no meio da tarde
um quê de quando em você  
um quê desses que a gente vê
de quando em quando
que a gente vê na pétala
num cheiro de rosa
num céu cheio de azul
pode nem ser
feito um buquê de nada
de quase nada
um quê de quase você... 

domingo, 30 de março de 2014

Um samba praquela mulher
(Carlos Pedala)

Vou fazer um samba
um samba praquela mulher
pra ver se ela me ama
ou me faz um carinho qualquer

quem é que nunca sentiu
a falta de uma qualquer
não importa o que ela fez
afinal é apenas uma mulher

Vou fazer um samba
um samba praquela mulher
pra ver se ela entra na minha
ou me faz um carinho qualquer

quem é que nunca sentiu
a dor da falta de uma mulher  
não importa a falta que ela fez
essa falta enche o teu coração  

Vou fazer um samba
um samba praquela mulher
pra ver se ela me ama
ou me faz um carinho qualquer 

sábado, 29 de março de 2014

A palavra
(Carlos Pedala)

a palavra pousa na folha
palavra suja
a palavra suja a folha branca
inunda a folha branca
imunda
pelas beiradas
cai sobre a folha branca
fuligem
a palavra solta da árvore
viagem
vagueia livre, errante  
penugem
a palavra posta em outro contexto
poética, bobagem
a palavra em suas múltiplas faces
remédio
fera, fere feito chicote
a palavra nasce antes do beijo
e da língua...


segunda-feira, 24 de março de 2014

NA TUA

Na tua
(Carlos Pedala)

Uma só vez
veio em mim
o que há
ser só de uma vez

uma só vez
palavra, letra
canção bonita
do Bola Preta

uma só vez
o que se revela
o que se oculta
era e não era uma única vez  

uma só vez
e tudo que há
já não há
feito qualquer frase feita

uma vez só
na tua
me fez
prisioneiro
de uma vez... 

segunda-feira, 10 de março de 2014

INTUIÇÃO

Intuição
(Carlos Pedala)

Enquanto
o silêncio diz desse momento
polos
luz escuridão
fogo eterno do tempo
a consumir tudo
quiçá meu pensamento
clara manhã
entendimento
enquanto o canto do galo
cruza o silêncio
em meu pensamento
enquanto o silêncio como toda manhã
diz desse momento
enquanto o silêncio diz desse momento... 

domingo, 9 de março de 2014

TORMENTO

Tormentos
(Carlos Pedala)

No paralelo desse pensamento
eu nele
as persianas das janelas
enquanto é uma palavra paralela
no tempo
janela tempo
pois enquanto dentro
enquanto fora
enquanto loucura
enquanto entendimento
falo enquanto calo
enquanto palavra de usar tanto
enquanto medo
enquanto glória
enquanto memória de alegria
o destilar desses tomentos...