Afogando
(Carlos Pedala)
Carregava um rosa
Não um buque, apenas uma rosa
vermelha
Pisou nas pedras da rua onde
morara
Percebeu que as pedras
continuavam
pedras, há mais de quarenta
anos pedras
e o rio estava há tempos sujo
ainda
havia pego peixinhos
coloridos ali
como nos contos de fadas
enquanto outros tiravam areia
areia lavada da sujeira do
rio
mas não se importava mais com
isso
a montanha limitadora de olhar
ainda estava lá (linda)
sim, algumas coisas estavam
sujas
mas ainda havia tempo para
limpá-las
mesmo com tanta, tanta
realidade
e a totalidade das coisas
nos afogando...
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